Jogos: Evolução e ‘Involução’

Os jogos mais antigos tinham uma característica em comum: o vício que despertavam. Não defendemos obsessões em relação ao que quer que seja, mas é importante notar que os jogos dos nossos dias parecem ter-se tornado uma mera mercadoria, o que trouxe implicações indesmentíveis para a sua “evolução”.

Os primeiros jogos tinham muitos elementos que cativavam as pessoas, mas o principal seria o nível de envolvimento que conseguiam criar com os seus “mundos” peculiares, o que em nada se relaciona com gráficos 3D nem com a panóplia de opções hoje existentes.

Se acompanharmos a evolução, vemos que os primeiros jogos foram os “arcade games”, que atraíram a atenção de muitos jogadores, ao mesmo tempo que introduziram novos média, baseados em comandos complexos e sequências inteligentes, a que mais tarde foram incorporadas histórias mistas.

Esta sucessão de eventos levou a que muitos empreendedores percebessem que os jogos podiam ser utilizados para simulações, passo decisivo para que começassem a ser encarados como produtos. Desde aí, investiu-se na melhoria dos seus efeitos visuais, com a criação de estúdios de jogos e a introdução dos gráficos 3D, qugame-centere abriram um nicho de mercado bastante lucrativo.

Este lucro foi um fator-chave para a história dos jogos, que conheceu uma nova viragem com a aposta em novas versões ou atualizações, que os utilizadores vão comprando sucessivamente. Os jogos com maior complexidade foram perdendo o seu valor intrínseco, pelo valor que adquiriram enquanto mercadoria.

Um elemento decisivo para esta curva evolutiva (ou involutiva) foi o aparecimento dos jogos para telemóveis, que têm um mero propósito de entretenimento. Os públicos-alvo dos jogos para computadores ou consolas e dos jogos para telemóveis são bastante diferentes, o que não impediu que se criasse alguma competição. Não podemos comparar o Temple Run com o Farcry 3, mas quando o objetivo é ganhar dinheiro as diferenças começam a esbater-se.

Hoje, temos a ideia de que o aperfeiçoamento dos jogos tem trazido novas funcionalidades, mas a realidade não é bem essa. A partir do momento em que o objetivo é o lucro, o jogo sacrifica o seu verdadeiro sentido ao valor comercial.